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Entidades contra a violência no campo pedem a exoneração de toda a cúpula da Segurança Pública do Pará

19/06/2017

Entidades exigiram do vice-governador, Zequinha Marinho, providências contra a violência.

Escrito por: Fátima Gonçalves/ CUT Pará

Em Belém, o Fórum de Entidades contra a Violência no Campo e pelos Direitos Humanos entregou ao vice-governador do Pará, Zequinha Marinho, na manhã desta segunda-feira (19), um documento com 14 pedidos de providências em relação ao agravamento da violência tanto no campo quanto nas periferias das cidades paraenses. No item 11, é pedida a exoneração imediata do secretário de Estado de Segurança Pública, JeannotJansen, e de toda a cúpula das policiais Militar e Civil, além de punição aos policiais envolvidos nas chacinas de Pau D’arco, em 24 de maio, e a do bairro da Condor, em Belém, ocorrida no último dia seis de junho, quando morreram cinco pessoas.

O documento, intitulado “Não há paz sem justiça”, foi entregue pela vice-presidenta da CUT, Carmen Foro, e pela atriz Dira Paes, representante do Movimento Humanos Direitos, durante uma reunião entre representantes do Fórum e o vice-governador, que estava acompanhado de toda a cúpula de segurança pública do Estado. O governador Simão Jatene (PSDB) não participou da reunião porque estava enfermo. Parentes das vítimas de Pau D’arco também estavam presentes na reunião.

O texto também reivindica a proteção dos defensores de direitos humanos ameaçados de morte e a adoção de medidas sociais em prol das famílias que perderam seus entes queridos, bem como o cancelamento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) de imóveis rurais privados que estejam sobrepostos a terras indígenas, unidades de conservação e territórios quilombolas sob jurisdição federal e estadual.

Em todas as falas, os representantes das entidades mostraram que a explosão de violência no campo no Pará precisa ser freada. Apenas nos primeiros seis meses deste ano já foram registradas 18 mortes em decorrência de conflitos agrários, o que representa um aumento de 300% em comparação a 2016. “Temos que discutir de que forma vamos nos unir em busca de resultados concretos que possam ajudar na mudança de estrutura, e que a gente consiga frear a violência que, em nosso estado, está acima de todas as regras de convivência humana”, lamentou a atriz Dira Paes.

Todos reconheceram que as mortes não são fatos pontuais ou isolados, pois tem a ver com a ausência de uma reforma agrária e também com a situação política que o país vive, com o impeachment de uma presidenta sem crime de responsabilidade. “Com o golpe, abriram-se as portas para os desmandos”, observou o ator Osmar Prado.

Quanto a chacina de Pau D’arco, foi exposto que há fortes indícios de que a operação foi toda errada e tem como pano de fundo o clima de impunidade que há décadas ronda os crimes no campo no Pará. “O policial não sai para matar sem ter certeza que nada vai lhe acontecer. Queremos que o governo do Pará pegue este caso de Pau D’arco e dê uma solução inédita para acabar com a impunidade”, disse o padre Ricardo Rezende, que por mais de 20 anos morou na região do sul do Pará.

A reunião entre o governo do Pará e o Fórum de Entidades contra a Violência no Campo integra uma série de ações que vem sendo tomadas para evitar que os crimes contra os dez camponeses em Pau D’arco fiquem impunes e que novas chacinas venham a ocorrer. Nesta segunda-feira (19) ainda teve, durante o dia, um seminário “Pela Democracia e Contra a Violência Campo”, encerrando, à noite, com um ato político-cultural, na praça da República.

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