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Vítimas dos reajustes, brasileiros rejeitam política de preços da Petrobras

12/06/2018

68% dos brasileiros querem que Temer mude política que reajusta gasolina toda hora e faz do gás de cozinha um produto inacessível para a maioria dos trabalhadores

Escrito por: Marize Muniz

 

68% dos brasileiros reprovam a política de preços da Petrobras, que reajusta os preços dos combustíveis de acordo com a variação internacional do barril de petróleo e cotação do dólar, mostra pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (11).

 

Os entrevistados querem que o governo do ilegítimo e golpista Michel Temer (MDB-SP), que implementou essa política depois do golpe de 2016, controle os preços da gasolina, do diesel, do etanol e do gás de cozinha, mesmo que gere perdas para a Petrobras. Apenas 26% acham que o governo deveria deixar a estatal "livre para definir o preço dos seus produtos e buscar lucro como outras empresas".

 

Para a FUP, a disparada nos preços dos combustíveis é um problema de gestão da Petrobras que vem sendo administrada para atender exclusivamente os interesses do mercado, aumentando os lucros dos acionistas, dos investidores multinacionais e dos importadores, sem qualquer preocupação em estabelecer mecanismos de proteção para o consumidor.

 

“Uma política absurda que ignora o fato de que a Petrobras é uma empresa estatal e tem de servir ao seu principal patrão, que é o povo”, diz o petroleiro José Maria Rangel, coordenador geral licenciado da FUP.

 

“Nos governos do PT, a Petrobras foi direcionada para o desenvolvimento do país. Com Temer, os recursos da estatal são transferidos para o mercado financeiro”, complementa o petroleiro Roni Barbosa, secretário de Comunicação da CUT.  

 

“E quem paga a conta é o povo brasileiro e o país, reféns das crises internacionais de petróleo e da volatilidade do dólar”, diz Roni.

 

Em 2017, mesmo o Brasil tendo sido o maior produtor de petróleo da América Latina, superando até mesmo o México e a Venezuela, o preço da gasolina ao consumidor final bateu recordes de aumento.

 

Entre junho de 2017 a maio deste ano, a inflação medida pelo IPCA foi de 2,86%. No mesmo período, a gasolina aumentou 21,48%, o gás de cozinha 13,04%, o etanol 12,18% e o óleo diesel 19,78%.

 

Esses aumentos não impactam apenas no bolso de quem enche o tanque de gasolina ou compra um botijão de gás, lembra o técnico da subseção do Dieese da CUT, Leandro Horie.

 

Segundo ele, os derivados de petróleo são itens de custo para quase todas as atividades econômicas e os aumentos nos preços dos combustíveis refletem diretamente nos custos do transporte e, consequentemente, no valor das entregas. Já o preço do gás de cozinha, impacta diretamente no comércio de alimentação e no orçamento de uma família.

 

“Pagamos duas vezes: na hora de comprar gasolina e outros derivados de petróleo e indiretamente com os aumentos nos preços de outros produtos e serviços”, critica.

 

A alta no preço do diesel devido à política de preços da Petrobras foi a principal causa da paralisação de caminhoneiros no mês passado, que durou mais de 10 dias. E também foi contra a privatização da companhia, contra as altas nos preços do gás de cozinha e da gasolina que os petroleiros fizeram greve de advertência, considerada abusiva pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) mesmo antes de ser deflagrada.

 

Para o diretor do Sindipetro-BA, Deyvid Bacelar, a rejeição da maioria da população à política de preços da Petrobras é uma vitória dos sindicatos dos trabalhadores e trabalhadoras do setor que conseguiram furar o bloqueio da grande mídia sobre o tema.

 

“Um dos objetivos da nossa greve de 72h, em que pese a proibição pelo TST e a presença das forças armadas dentro das refinarias, foi o de dialogar com a sociedade brasileira sobre a política de preços da Petrobras. Conseguimos qualificar o debate”, comemora o dirigente.

 

Deyvid acredita ainda que a sociedade brasileira estará ao lado dos petroleiros na próxima greve por tempo indeterminado, com data ainda a ser definida.

 

A pesquisa Datafolha ouviu 2.824 pessoas em 174 municípios nos dias 6 e 7 de junho, e a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

 

Imagem: ALEX CAPUANO/CUT

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